Revista Veja: leia e não veja nada
Depois de abusar muito tempo do seu jornalismo marrom, a revista Veja conseguiu finalmente extrapolar o bom-senso. Isto é, “conseguiu” encontrar uma ligação (através de uma inspiração kafka-borgeana) entre Fidel Castro e a campanha eleitoral de Lula. O líder cubano, com o seu país riquíssimo, teria dado a Lula três milhões de dólares. Provas? Um papo de botequim entre dois boquirrotos. Essa é a preocupação com a “verdade” da revistinha.
Há pelo menos uma década, noto que a preocupação da Veja é representar única e exclusivamente os interesses (pessoais) da família Civita. Aliás, isso é até normal dentro do capitalismo. Nos EUA, por exemplo, a democracia é utilizada como retórica para referendar o poder de uma elite.
A democracia ocidental só vale para o capital e sua reprodução. Democracia não existe dentro do capitalismo... É apenas ideologia. Um velhinho nos alertou sobre isso no século XIX.
Nos EUA, os jornais refletem os interesses dos grupos, como aqui. Contudo, chegamos ao nível mais baixo do jornalismo brasileiro. Há limites.
A revista Veja não tem mais vergonha de defender descaradamente os seus “patrões”, ou seja: o PSDB de FHC. Esse legou ao país os piores lugares em desenvolvimento humano e um desemprego gigantesco. A Veja tenta de todas as maneiras, através de métodos nazi-fascistas, promover desestabilização do combalido governo Lula. Vale tudo!
Antes que me acusem de “petista” (já o fui com muita honra, diga-se de passagem), quero situar a minha análise dentro dos marcos burgueses. O que estou discutindo é o poder da mentira e da tentativa de desestabilização promovida pela revistinha.
Critico aqui o tão valorizado discurso liberal de “lealdade”, defesa dos “valores democráticos” (?), enfim, o que eles falam todos os dias.
Quem acompanhou/acompanha as capas temáticas da Veja notou que, durante toda a crise política, a tentativa declarada era de derrubar o governo Lula numa sanha nazista. Tudo, absolutamente tudo, foi montado para isso. Cheguei a contar quatro capas (um mês) com o intuito de insuflar a decadente e patética classe média brasileira (aquela que compra carro em cem anos para pagar) para a derrubar Lula.
Sempre defendi e defenderei limites para o exercício de qualquer profissão. Os médicos possuem o seu Conselho, os advogados a OAB e os jornalistas? Possuem o quê? Não se trata de censura, mas de profissionalismo.
O inacreditável é que existam profissionais que aceitem assinar tais reportagens. Onde está a dignidade de vocês? O dinheiro justifica tal estupro ético-moral? Vocês se julgam “jornalistas” ou são a “voz” do patrão? Isso não é uma forma de prostituição? Todos temos que sobreviver, mas não dessa maneira.
O que venho observando nos últimos anos é um festival de “denuncismos” sem o menor embasamento de veracidade. E quanto à Veja com esta palhaçada de “ajuda cubana em caixas de garrafas”? Serão penalizados?
Viva a liberdade de imprensa... golpista!
Colaboração Revisional: André Vinicius Lira Costa
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