De João Paulo II a Bento XVI: esperança de mudanças?

 

Lançamento!!!!! Entenda o colapso argentino!

 

 

 

 

Após a morte do papa que mais se beneficiou com os avanços da Terceira Revolução Industrial e se tornou de certa maneira um dos maiores ícones do final do século XX, chegou o momento da transição. Contudo, peço um espaço para analisar a “importância” da escolha de uma papa no terceiro milênio.

Antes de qualquer coisa é preciso saber o seguinte: seja qual for o papa, nada será alterado em termos econômicos e sociais na Humanidade. Estou fazendo uma observação em termo macroanalítico.

O dito “poder” papal de outrora não existe mais. O capitalismo defendido (contra o comunismo, por exemplo, na segunda metade do século XX) com unhas e dentes pela Igreja Católica durante todo esse tempo, solapou o seu poder no momento em que o seu discurso milenar começou a emperrar o da acumulação capitalista. As revoluções burguesas desde o século XVIII foram para isso. Durante os últimos três séculos a Igreja Católica foi perdendo terreno para a ciência e hoje é somente um ícone.

Não quero dizer com isso que o Vaticano não tenha muita influência. Tem, mas é incapaz de alterar os rumos da história. Os que pensam isso, vivem ainda de um saudosismo infantil.

Das pessoas que se auto-intitulam católicas, grande parte não segue as recomendações feitas pela Igreja. Grande parte usa anticoncepcionais, fazem sexo pelo prazer, bebem etc. Ou seja, a sobrevivência da Igreja Católica é baseada no seu poder ideológico acumulado durante estes 1500 anos. Durante todo esse tempo escutando a mesma coisa, chega um momento em que você passa a acredita nela por preguiça em procurar outra resposta.

Os ditos dogmas, que podem ser rebatidos facilmente em qualquer tipo de conversa minimamente séria, caem por terra diariamente após novas descobertas da ciência: genoma, clonagem etc. E a Igreja, o que faz? Utiliza os mesmos argumentos do início da Era Cristã.

Qual a explicação dos doutores da Igreja? O próprio papa João Paulo II foi beneficiado pelo avanço da medicina que a Igreja Católica sempre dificultou. Se levarmos ao pé da letra o que os dogmas católicos pregam, a medicina mais avançada hoje seria a da Antiguidade grega.

Em minha concepção e à luz do que Cristo pregava, os seus “sucessores” se afastaram muito de suas palavras. A visão de Cristo de uma sociedade igualitária, justa e fraterna, foi destruída pela ambição humana de dinheiro e poder dos que se auto-intitularam seus seguidores.

O próprio fato de o Império Romano ter se tornado cristão foi de uma habilidade política espantosa. Com o Império se despedaçando e o cristianismo oferecendo um mundo espiritual repleto de felicidades para uma massa escrava e miserável, era inevitável que a sua ideologia dominasse a região. Antes que o cristianismo fugisse ao controle, o imperador Constantino assumiu a situação transformando-a em religião oficial de todo o Império. Estava aberto o caminho para a burocratização da mensagem de Cristo.

Como exemplo, toda a nomenclatura que a Igreja Católica até os dias de hoje utiliza é do Império Romano: Cúria (Senado Romano), Sumo-Pontífice (Chefe da religião romana), entre outras. Aliás, César foi Sumo-Pontífice também.

E a ostentação imoral do Vaticano? Toda aquela riqueza certamente não seria aprovada por Cristo que viveu toda a sua vida na mais absoluta simplicidade. Será que para os cristãos reverenciarem a memória de seu salvador é necessária tanta riqueza? Por que não leiloar tudo aquilo e reverter para os pobres que ultrapassam o bilhão de pessoas? A África poderia atenuar as suas mazelas.

A resposta é simples: a questão transcende a Cristo. Ali está representada as ambições humanas, os cargos e o poder que algumas pessoas possuem utilizando os nomes de outras que não podem mais discordar desse desvio.

Na verdade, a Igreja Católica está em profunda crise desde que o capitalismo e a burguesia assumiram o controle do planeta. Os burgueses não se contentam com a glória no Reino dos Céus. Os pobres sim. A vida material abundante em riquezas é o objetivo da burguesia apesar de ela acreditar em algo “superior”. E parece que a Igreja fez a sua “opção”: a opção pelos ricos e poderosos.

A correção desse trajeto infeliz poderia ter sido alcançado com a Teologia da Libertação que não tem absolutamente nada de marxista mas é totalmente cristão em sua essência: a defesa dos mais humildes e dos pobres. Antes do Reino dos Céus, existe o mundo terreno no qual todas as pessoas esperam de ter uma vida digna. Não é justo esperar a morte para ser feliz.

Como não poderia deixar de ser, isso atrapalhava a “opção” da Igreja Católica e os seus interesses. A Teologia da Libertação foi marginalizada pela Igreja, seus expoentes foram obrigados a sair da instituição e os que ficaram perderam os seus cargos ou foram deslocados para regiões de menor influência. Mudanças? Creio que seja impossível.

Mas creio que saberemos a importância de termos um papa “conservador” ou “progressista” para as nossas vidas cotidianas com a seguinte pergunta: o preço do barril de petróleo vai cair?

 

Colaboração revisional: André Vinicius Lira Costa

 

Você encontrou algum erro? Ajude-nos a corrigir! 

Clique Aqui.

 

 

 

Copyright by Charles Pennaforte,2005. All rights reserved.