Tsunamis ou Capitalismo: o que é pior?
A catástrofe que assolou o Índico na última semana de 2004 demonstrou que a Natureza continua a ser “soberana” no planeta, a despeito de toda parafernália tecnológica. Essa parafernália pode ajudar, mas nunca impedir o que deve necessariamente acontecer de acordo com desígnios da Natureza. Por outro lado, o evento demonstrou que apesar do discurso de melhorias do planeta sob o capitalismo, nunca fomos tão desiguais.
O fato é que o capitalismo é muito cruel como um sistema de organização social. Os países mais ricos, aqueles que conseguiram suas riquezas através da exploração de várias colônias, contam com a tecnologia para se prevenir contra tais fenômenos naturais. Isto ficou patente nos efeitos da destruição das tsunamis nas áreas mais pobres como o Sri Lanka.
A riqueza permitiu aos países ricos saber com precisão do fenômeno e se prepararem para os seus efeitos. A Austrália já sabia do problema, além é claro dos EUA. Porém, não puderam avisar aos outros países: não sabiam como. Tirando a Tailândia que é o país “melhorzinho” da área, o resto é literalmente resto.
No Índico estão localizadas algumas das nações mais pobres e miseráveis do planeta. As tsunamis tiveram o efeito de uma bomba atômica. Quem não vê o noticiário nos meses de Julho a Setembro e toma conhecimento dos tufões (os furacões do Índico) destruindo o Golfo de Bengala e o sudoeste asiático? Sem dúvida alguma, as proporções das tsunamis foram gigantescas.
Se tais países não tivessem que seguir a lógica irracional do capitalismo, ou seja, se o dinheiro pegado para a “industrialização” não tivesse que voltar agregado de juros escorchantes, certamente haveria a capacidade de ter se montado uma estrutura mínima de monitoramento dos fenômenos naturais. Ou pelo menos de se ter uma linha telefônica para receber chamadas dos centros de monitoramento climático.
Até quando a comunidade internacional resolveu fazer doações, tornou-se problemática a resolução do problema. O dinheiro doado certamente voltaria na forma de pagamentos das dívidas externas. Meu Deus, mas que lógica! O que deveria reconstruir as nações voltaria para os doadores em forma de lucros!
O pior de tudo é que existem defensores do sistema (os capitalistas não entram) que conseguem ver algo positivo na mercantilização da vida. Eles inclusive dizem que o socialismo era pior. Pode até ser, mas o capitalismo, no mínimo, empata em desgraça e desespero.
Agora pergunto: o que é pior, as tsunamis ou o capitalismo?
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© by Charles Pennaforte, 2001-2005.![]()
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