Sexta-feira, Setembro 23, 2005

Democracia Ocidental: uma grande mentira

Há muito tempo venho refletindo sobre o conceito de "Democracia". Mais especificamente, a chamada "Democracia Ocidental" que com o triunfo da burguesia enquanto classe hegemônica, ganhou força.
O filósofo greco-francês Cornelius Castoriadis (1927-2001) em algum dos seus inúmeros livros, abordou o "ineditismo" dos gregos antigos na elaboração da Democracia como forma de "bem-governar". O apogeu da Democracia grega ocorreu no século V a.C. com o famoso Péricles (foto).
O fundamento grego de Democracia no século V a.C. era o seguinte: uma minoria absoluta livre que não trabalhava e tinha tempo para pensar sobre tudo e todos. Por outro lado, uma massa escrava vivia em péssimas condições de vida e não fazia parte do povo grego. Ou seja: não eram cidadãos. Sendo assim, só trabalhavam e não tinham tempo para "pensar sobre tudo e todos".
A idéia era fantástica: a maioria comandaria a nação. Mas na prática era uma minoria que efetivamente mandava. Traduzindo: a "Democracia" nunca exisitu como forma de domínio da maioria sobre a minoria. Ou seja: não existia o "governo do povo".
Com o Iluminismo e a burguesia sedenta de poder efetivo, o discurso foi retomado nos moldes gregos do século V a.C. A democracia burguesa que inicialmente pregou o Liberté, Fraternité, Igualité, tornou-se um pesadelo ao garantir somente para alguns - como no caso grego - os benefícios da vida digna.
Com os mesmos problemas dos tempos socráticos (desilusão com a política e com os políticos), a sociedade ocidental - herdeira do Iluminismo - tem a Democracia como um discurso vazio, ideológico.
Os séculos XX e XXI, possuem como característica o mesmo cenário desalentador da Grécia de Péricles. A luta de Sócrates contra os sofistas, os nossos picaretas de hoje, não terminou.
A palavra democracia é somente uma palavra... Cada vez mais desmoralizada e desacreditada.
É necessário repensar a Democracia fora dos moldes burgueses.