Licença para Matar

 

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Parece o nome de um velho filme, mas na realidade é o que EUA estão patrocinando através de sua omissão no Oriente Médio. A “ofensiva” de Israel contra os “terroristas” do Hizbollah marca mais uma etapa da imoral e desumana história dos Estados Unidos da América.

Que inúmeros povos do mundo já sofreram com a sanha assassina norte-americana não é novidade. Os livros de história estão cheios de exemplos, contudo os defensores dessa barbárie acreditam que o chamado “antiamericanismo” não deveria existir. Trata-se de uma coisa de “comunistas” que não sabem dar o valor necessário aos EUA. Estes sim são os defensores da Democracia e da Civilização.

Agora estamos observando mais uma etapa desta Cruzada Civilizatória no Oriente Médio. A pouca (ou quase nenhuma) vontade de Israel impedir o genocídio no sul do Líbano e na Faixa de Gaza demonstra o que o mais criminoso dos governos da história norte-americana é capaz de fazer, ou melhor, não fazer.

Como sempre defendi, o primeiro ponto para entendermos o conflito na região é a criação do Estado de Israel. Para criar o Estado, foi necessário desalojar milhares e milhares de pessoas de uma hora para outra. Tudo bem que Israel necessitasse de um Estado, mas dessa maneira... Os palestinos, maioria na região, ficaram com uma quantidade de terras menor. Os problemas começaram aí.

Com a vitória dos israelenses nas guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom-Kippur (1973), Israel assumiu o seu caráter imperialista com o apoio dos EUA. Dos iniciais 14.000km² de território definido pela ONU em 1948, Israel passou para 89.000km². Creio que proporcionalmente nenhum Estado tenha conseguido “absorver” um território tão grande em tão pouco tempo. Nem Roma!

O expansionismo tornou-se o modus operandi de Israel. Até hoje o país não saiu da Cisjordânia apesar de dezenas de resoluções da ONU condenando a sua ocupação ilegal desde 1967. É possível construir a Paz dessa maneira se desde o início o processo está errado?

A desculpa israelense para os massacres é a existência de grupos “terroristas”. Gostaria de fazer uma pergunta aos dirigentes dos EUA e Israel. Na Segunda Guerra Mundial, a França foi ocupada pelos nazistas e os franceses criaram a Resistência, certo? Eles eram “terroristas”? Pelo que eles lutavam? Não era pela retirada do III Reich da França? Entretanto, os livros de história não os colocam como “terroristas”: “eles lutavam pela liberdade”. Em uma entrevista, George W. Bush “compreendia” a atuação da resistência iraquiana contra as tropas norte-americanas: “Se o meu país fosse invadido por tropas estrangeiras, eu também não aceitaria”.

Em minha concepção, Israel “alimenta” diariamente os grupos “terroristas” com suas práticas desumanas na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Aliás, Gaza foi transformada em um gueto de fazer inveja aos nazistas: faltam alimentos, energia, água etc. Só não faltam as mortes.

O Estado de Israel com a sua capacidade bélica convencional e também nuclear (por que o Irã não pode ter o seu programa nuclear?) patrocinada pelos EUA não tem o direito de promover o genocídio na Faixa de Gaza e no sul do Líbano. Estamos chocados com o Líbano, mas e Gaza, um verdadeiro Gueto de Varsóvia?

Para os leitores entenderem o que está acontecendo no sul do Líbano, usarei como exemplo a cidade do Rio de Janeiro, aliás, a em que eu vivo. O Rio de Janeiro tem, como marca característica ao lado das praias e do Pão de Açúcar, as favelas.

Imagine se, para acabarmos com os traficantes, a polícia resolvesse atacar a favela de maneira indiscriminada. Como os traficantes podem se misturar aos moradores, a polícia atiraria em tudo que se movesse pela frente. Dá para imaginar o saldo disso tudo? Você acharia certo isso? Não seria um genocídio? Mas é literalmente o que Israel está promovendo no sul do Líbano: o extermínio de civis. O mais chocante é que os israelenses sofreram tal processo e agora repetem contra outros seres humanos o mesmo fenômeno.

Por outro lado, os EUA (“líderes” do planeta) descem vários degraus em direção à lama. Um país que exerce a “liderança” apoiando o genocídio desta maneira é mais um triste exemplo. Não há moral alguma dos EUA em “exigir” que o Irã, Coréia do Norte e a Venezuela não se preocupem com sua segurança. Pelo contrário.

Chega a ser uma piada as declarações norte-americanas defendendo os “valores democráticos”. Os EUA têm eleições fraudadas; vêm patrocinando ditaduras em todo o planeta desde muito tempo e conseqüentemente têm responsabilidade direta pelas mortes de milhões de pessoas; utilizaram a bomba atômica contra civis (está aí o entendimento da atual postura israelense); executam dezenas de prisioneiros (de preferências pobres e negros) em suas cadeiras elétricas; torturam e executam em Abu-Ghraib e mantém uma prisão ilegal em Guantánamo.

Agora, deram uma “licença para matar” no Oriente Médio. Democracia e Liberdade não passam de palavras... De dicionário.

 

 Colaboração Revisional: André Vinicius Lira Costa

 

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