EUA e Irã: qual o país mais perigoso para o mundo?

 

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A celeuma provocada pelo governo iraniano em desenvolver o seu programa nuclear é mais um episódio da desastrada administração de George W. Bush. Sim, grande parte da “rebelião” de alguns países contra o sonho imperial norte-americano é fruto justamente deste processo.

Antes de abordarmos a questão sobre quem tem razão ou não, é preciso voltarmos um pouco no tempo para compreendermos o que está realmente por trás das “preocupações” da “comunidade internacional” (leia-se EUA).

Para alguns historiadores, a Era Nuclear teria começado exatamente com as explosões atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945. O genocídio praticado pelos EUA contra a população civil japonesa não encontra nenhuma justifica lógica ou histórica. A dita necessidade de acabar com guerra (“O desembarque norte-americanos no Japão provocaria morte de 1 milhão de soldados”) foi uma mera desculpa e simplesmente os EUA se igualaram aos feitos nazistas. Mas como a história é escrita pelos vencedores, grande parte da mídia mundial sequer lembra do que aconteceu realmente.

A capacidade de desvirtuar a lógica é tanta que todos lamentam as bombas, mas ninguém questiona a necessidade real do uso da força atômica contra os japoneses.

Com a corrida atômica, a URSS rapidamente aumentou seus esforços para ter o seu próprio artefato bélico nuclear na década de 1950, sendo seguido pela China e pelas potências  européias: Inglaterra e França. Formou-se um “clube atômico” que gastou e gasta bilhões e bilhões de dólares até os dias de hoje.

A posse da tecnologia atômica gerou um novo status mundial. Até a ditadura militar brasileira criou o seu programa nuclear que pode ser visualizado com as usinas de Angra. Dentro de um mundo dominado pela Guerra Fria, as  superpotências mantiveram o controle sobre outros países que quisessem entra no “clube”.

Com o fim da Guerra Fria e o conseqüente desmantelamento  da lógica geopolítica do período,  a antiga URSS gerou novas “potências nucleares”: Ucrânia e Cazaquistão, por exemplo. Os dois países ficaram com os respectivos arsenais nucleares com a dissolução da URSS.

Na década de 1990, outros países se “animaram” e resolveram implementar os seus programas nucleares: a Índia, o Paquistão, Israel (com a anuência dos EUA), Irã e a Coréia do Norte. Os dois primeiros países utilizam a tecnologia nuclear com forma de se ameaçarem mutuamente, enquanto os dois últimos passaram ao “ataque” após a Doutrina Bush.

Chegando aos dias de hoje, devemos responsabilizar única e exclusivamente a administração Bush pela atual problemática nuclear. Sua postura beligerante e de desrespeito aos acordos internacionais permitiu o fortalecimento das posições do Irã e da Coréia do Norte.

O próprio comportamento da administração Bush em relação ao Paquistão e a Israel, é simbólica. O Paquistão que inicialmente era visto como uma ameaça a “paz mundial” tornou-se defensor da Democracia e da Liberdade, mesmo sendo controlado por uma ditadura. O motivo? Virou aliado norte-americano.

Israel que viola inúmeras resoluções da ONU e guetificou os palestinos, também conta com a complacência norte-americana em relação ao seu programa nuclear. O motivo? É aliado incondicional dos EUA.

Agora fica a pergunta: por que o Irã não pode ter o seu programa nuclear? O Irã é perigoso? Mas os EUA não seriam? Quem ocupa países ilegalmente, tortura e mata civis inocentes, merece possuir armas nucleares? Qual a garantia que a comunidade internacional possui contra os EUA? A ONU? É uma mera sigla desmoralizada.

Dentro do que a administração Bush propôs para o mundo em termos de geopolítica, nada mais natural do que alguns países se protejam contra a ameaça norte-americana, essa sim real.

Uma proposta concreta para acabarmos com a ameaça nuclear  definitivamente é o desarmamento total dos EUA e de todos os países que possuam arsenais nucleares. Isso é uma proposta coerente e lógica. Se os norte-americanos não aceitam tal proposta é porque tentam reservar para si o monopólio nuclear.

É melhor bater nos mais fracos.

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