Educação de Pobre e Educação de Rico

 

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Sem qualquer tipo de discussão com professores e pais, o Município do Rio de Janeiro tentou implementar (pelo menos até a publicação deste artigo) o Sistema de Ciclos para a antiga 5ª/8ª séries. Estamos a caminho para o colapso total do Sistema Educacional Brasileiro.

Na verdade, o que está por trás do "Sistema de Ciclos", implantado no Rio de Janeiro, bem como de grande parte dos governos que o utilizam, é a diminuição dos "gastos" com alunos repetentes. Ou seja, o aluno que fica "retido" (eufemismo utilizado pela "moderna pedagogia" para não dizer "repetente") obriga o governo a custeá-lo mais do que deveria aumentando o gasto/ano. A solução "pedagógica" encontrada é aprovar todo mundo para acabar com o "gasto". Qualidade na Educação? Isso é outra história.

O fato é que as elites criaram literalmente a "Educação para Pobre" em oposição à "Educação para Rico". Antes, a dicotomia era camuflada... tímida. Agora....

No Rio de Janeiro, as explicações técnicas para a implantação do sistema não convenceram ninguém, nem mesmo os "implementadores". Em nenhuma das várias entrevistas concedidas pela Secretária de Educação foi possível entender minimamente os fundamentos técnicos e lógicos da proposta. Trata-se de um enigma. Mas creio que uma pergunta resolveria tudo: "A Secretária, colocaria um filho e/ou neto neste sistema?" E o Prefeito? Eu sei a resposta, aliás, nós sabemos.

Enquanto isso nos colégios da burguesia brasileira, com uma pedagogia antiquada e fora de sintonia com os "novos tempos", continua reinando o sistema seriado, modelo tradicional e que dá resultados para a formação de seus filhos. Por que não o mesmo para a camada pobre? Os nossos magnânimos pedagogos nunca pensaram que o problema não é a dicotomia Série X Ciclo? Se no sistema seriado a reprovação é grande, no ciclo o resultado é o analfabetismo dos alunos ao deixarem a antiga  4ª Série. Qual a diferença concreta? Agora estamos institucionalizando o analfabetismo dos alunos que deixarão o Ensino Fundamental. Para as "classes populares", restará toda a sorte de experiências e teorias, sempre de êxito duvidoso.

Nas últimas décadas, dezenas de "especialistas" ficaram ricos, com palestras, venda de livros e cursos, pregando teorias "revolucionárias" para a Educação. Grande parte destas teorias oriundas de países europeus cuja realidade social é inimaginável no Brasil.

Os "laboratórios de experiências" são as escolas públicas e os filhos dos pobres. Sim, porque só estuda nas escolas públicas a população mais pobre. Para este segmento, a escola não é escola: é fonte de alimentação. O leitor deve saber que pode faltar tudo em uma escola, inclusive o professor (atualmente o menos importante dentro deste espaço) mas não falta a "merenda". A escola do século XXI do Brasil mata a fome de milhões de brasileirinhos, cujos pais compõem o lúmpen nacional e só. Agora, Educação em si, não é mais o importante. O inacreditável é a Esquerda adotar e corroborar com  estas teorias acreditando estar no caminho da "Revolução".

Voltando para o nosso dia-a-dia, com a aprovação automática, teremos um quadro muito pior do que já temos. Os alunos do Ensino Fundamental ao cursarem o Ensino Médio estarão em situação acadêmica desesperadora. Se no atual quadro a situação é tenebrosa, imagine no futuro.

Em minha concepção, a proposta do ciclo se insere dentro da lógica desumana e cruel das Elites brasileiras (em associação com a "Esquerda") em tratar a camada mais pobre. Mantendo-a na absoluta ignorância, agora institucionalizada, as Elites exercem o seu poder e seu ódio contra a Camada Pobre que "enfeia" o país. Detalhe: "feiúra" criada por ela mesma, a elite.

O que move a "Esquerda" para a adoção destas barbaridades pedagógicas é a compaixão pelos desvalidos de nossa sociedade. Já que a Revolução foi trocada pelo conforto dos escritórios e pelos cargos de comissão remunerada do aparato estatal, há que se fazer alguma coisa! Solução: o fantástico Sistema de Ciclos! 

Moldemos o Sistema para os desvalidos, mesmo que o resultado final seja nenhum. "Pelo menos poderemos dormir em paz e com nossa consciência revolucionária tranqüila".

Aviso ao leitor que possuo condições "morais" e técnicas para debater qualquer assunto com os "teóricos" nacionais e internacionais sobre Educação. Continuo dando aulas há quase 20 anos desde a antiga 5ª série até o ensino universitário. Diariamente, sofro dos mesmos problemas dos Professores deste país. Não aceito é que "teóricos" que nunca botaram um pé na sala de aula ou que se escondam em sala climatizadas apareçam com teorias salvadoras para Educação.

Chegou o momento de nós, professores reais, sairmos da defensiva e defendermos uma Educação de qualidade para todos os brasileiros. Chega de "teorizações" sobre algo simples. A Escola é local de estudo, de aprimoramento, de evolução intelectual.

Definitivamente, o futuro do Brasil será igual ao nosso triste presente. Daqui a alguns anos chegaremos ao nível de no verso da certidão de nascimento do recém-nascido, termos o Certificado de Conclusão do Ensino Fundamental.

É para economizar papel.

E nós, professores? Qual será a nossa função?

Recreadores de luxo.

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