Articulação: o campo majoritário do PT

 

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Em 1986, as “massas” se rebelavam contra a prepotência dos “preços altos” das passagens de ônibus. Vivíamos no período do Plano Cruzado e com a função de “fiscais do Sarney”. O aumento equivalente hoje a 0,10 centavos transformou a Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro num verdadeiro campo de batalha.

Dezenas de ônibus foram incendiados, lojas depredadas etc. Foi possível perceber minimamente como seria uma Revolução. Ao final do dia, o presidente José Sarney revogava o aumento. O povo finalmente foi escutado...

Eu tinha 18 anos e presenciei todo o clima. Os eventos me alertaram para a necessidade de uma participação política mais atuante. Não poderia ficar imune àquilo. Naturalmente, me filiei ao PT.

Dentro da militância petista tive contato com a chamada Articulação, que controlava o partido e era composta por José Dirceu, Lula, Jorge Bittar, Benedita da Silva, José Genoíno etc. A hegemonia da Articulação era incontestável: controlava os Diretórios municipal, estadual e nacional, o que permanece até hoje. Fiquei atuante no PT entre 1986 e 1990, quando eu e mais um grupo de militantes notamos que algo estava errado.

As práticas do campo majoritário para manter o controle do partido se fizeram estranhas aos nossos olhos. A existência de militantes carreiristas e o aparelhamento do partido dificultou a nossa permanência e saímos. Eu particularmente não me desfiliei, mas nunca mais voltei à militância. Contudo, sempre votei no PT.

A minha tese de que o PT, ou melhor, que a Articulação tinha levado o PT para fora dos trilhos foi confirmada com a aliança espúria com o PDT de Garotinho no Rio de Janeiro. Nem o Brizola tinha a paciência com o Garotinho e o PT (a Articulação) se agarrou à oportunidade de chegar ao poder no Rio de Janeiro. O governo Benedita da Silva foi uma verdadeira catástrofe.

Agora as maracutaias da Articulação ganharam projeção nacional para deleite do “maracuteiros” profissionais do PMDB, PSDB, PFL, PTB etc., que nunca tinham sido pegos até agora.

A desgraça petista foi ter se juntado para chegar ao poder ao que mais há de podre na política brasileira. As tais “alianças” se revelaram um casamento com o diabo que agora cobra o “preço” pela eleição do operário.

A rapidez na expulsão de Heloísa Helena, Babá, Luciana Genro e a letargia para fazer o mesmo com Genoíno e José Dirceu, por exemplo, mostra que a Articulação tem dois pesos e duas medidas para com os militantes. Infelizmente estamos assistindo ao fim do PT com um partido ético, pelo menos enquanto a Articulação estiver lá.

 

Colaboração revisional: André Vinicius Lira Costa

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