Há quem interessa os escândalos?

 

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O grande imbróglio em que o Partido dos Trabalhadores está metido não é (e não será) um privilégio dos petistas. Apesar do festival de denúncias verificadas nas últimas semanas de junho, devemos concluir que não há nada de concreto. Trata-se de uma onda de “denuncismo” que só serve para criar um clima de impunidade maior do que já existe no Brasil.

Sem dúvida nenhuma, sabemos que o Congresso Nacional é um antro habitado por elementos (com raras exceções) da pior espécie de nossa política nacional. Aproximadamente 90% dos congressistas estão ali para defender literalmente os seus negócios e interesses, ao mesmo tempo em que se locupletam do dinheiro público (da população) através de salários imorais e abjetos. Como já disse: existem exceções. Mas são muito poucas.

O governo Lula não é um governo corrupto na acepção da palavra.  Podemos citar governos mais corruptos, como o de Fernando Henrique Cardoso, que dilapidou o patrimônio público nacional a preço de banana e comprou literalmente a sua reeleição. Os escândalos? Foram abafados pela mídia. A Veja, por exemplo, sempre defendeu o governo FHC.

A revista Veja apoiou todas as safadezas patrocinadas por FHC e agora tenta demonstrar o seu “senso de defesa do país”, atacando o atual governo como se o mesmo fosse “o maior corrupto” da história. Isso é simplesmente nojento.

Não existe dúvida de que o PT possui sérios problemas com o seu “jeito de governar”. A criação de milhares de cargos para assentar a camarilha ligada ao grupo que comanda a direção do partido (Articulação) e a defesa do tal Delúbio beira o infantilismo. Uma pessoa que tem o seu nome atacado por todos os lados teria no mínimo que ser afastado, até mesmo para se defender melhor.

O que o PT fez? Mantém-o no cargo, mesmo que para isso o nome do partido seja denegrido ao máximo. Esse é o jeito petista de governar: o jeito tatu. Escondem-se no buraco, e o resto...

O fato é que o “collorido” Roberto Jefferson é uma águia da política. Ao ver o seu nome envolvido na falcatrua dos Correios, tratou de abrir a caixa de Pandora para tentar se livrar dos efeitos das denúncias.

Como excelente advogado, ataca a todos, mas não pagará por isso. Sua retórica é de fazer inveja aos velhos sofistas gregos do século V, tão combatidos por Sócrates. A CPI é a Ágora de Roberto Jefferson.

O festival de denúncias beira a narração kafkiana: é de um realismo fantástico, fantástico! Todos se acusam, mas ninguém têm provas. E a justiça? Quem se sentiu ofendido vai “processar” o acusador e, na hora da audiência, quem acusou pedirá desculpas. O processo será arquivado!

Onde há fumaça, há fogo. Disso não resta dúvida. Entretanto, só a fumaça não demonstra o incêndio. Pode até ser que as benditas provas apareçam, mas enquanto isso, fica o clima de impunidade de sempre.

Depois do futebol, o esporte preferido do brasileiro é a corrupção. Exagero? Você certamente já deve ter visto alguém oferecer aquela “cervejinha” para o guarda não multar... Isso não é corrupção?

Há quem interessam os escândalos? A todos que perderam de alguma forma o direito de nomear parentes, amigos e receber mais benefícios financeiros. Afinal, o período  de enriquecimento foi muito longo: 1500 a 2002. A eleição presidencial começou bem cedo.

 

Colaboração revisional: André Vinicius Lira Costa

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