Classe Média e Barbárie
Historicamente, a classe média sempre foi a vítima da violência. Violência praticada pelas populações mais pobres contra ela. Contudo, a agressão à empregada doméstica no final de junho, realçou algo cada vez mais comum: a delinqüência praticada por jovens de classe média ou alta. Luxo, boas escolas e roupas de grife, não foram suficientes para alterar a visão de mundo destes jovens.
Primeiramente, existe um consenso - real diga-se de passagem - de que os pais falharam na formação moral e ética e no caráter de civilidade de seus filhos. Sem tal formação familiar, os jovens passam a se espelhar no que a sociedade fornece com "exemplo". Pelos jornais, nós sabemos quais são os "exemplos". Torna-se importante analisar os efeitos do paradigma proposto pela sociedade de consumo no Brasil. Aliás, uma sociedade extremamente desigual.
O atual padrão de consumo ou hiperconsumo, - conforme Gilles Lipovetsky -, impõe à sociedade níveis de aquisição de bens elevados que obrigam as pessoas a muitas horas de trabalho. O acúmulo de dinheiro é base para a manutenção do alto padrão de vida com carros importados, jóias, bens e etc. Isto é a sociedade de consumo. Trata-se de um fenômeno lógico dentro do sistema capitalista.
Historicamente, a classe média almeja chegar ao ápice da pirâmide social: possuir milhões de reais para dar asas aos seus desejos de consumo. Contudo, isso tem um preço. O preço, neste caso, é pago pelos filhos que são privados do convívio parental e passam a ser educado por babás e/ou pelos "amigos" de condomínio ou de "point" da praia. Sem querermos ser reducionistas, o padrão familiar da classe média na atualidade é baseado no imperativo de consumo. Sendo assim, os pais não conseguem fechar a equação. Geralmente, escutamos de pais falando sobre os seus filhos: "Eu dou tudo de bom para ele: boa escola, roupas etc." Fica uma pergunta: e o que não é possível comprar? Uma boa conversa diária, um contato afetivo etc. Como fica?
A crise moral em que está imersa a sociedade brasileira provoca reflexos em toda a estrutura social. Mas devemos ter certeza de que a famosa assertiva "boa educação vem de casa" é extremamente pertinente. Mais importante do que jogos de última geração, computadores, e outros bens materiais, é a atuação dos pais na Educação de seus filhos. Não é a escola que tem o dever de fornecer os padrões primários de sociabilidade, mas sim os pais. "Delegar" tal papel à instituições ou às pessoas que não estejam envolvidas no processo educativo primário é totalmente errado.
Aos pais ficam o recado: Não dêem apenas bens materiais aos seus filhos. Dêem-lhes o que não se compra: CARINHO.
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