A Direita Contra-ataca: Hugo Chávez na Berlinda
O encontro da chamada "Internacional de Centro-Direita" ocorreu no Brasil em maio, congregando os representantes de vários partidos políticos que defendem a democracia como um “grande valor”. O mais engraçado é que, no caso brasileiro, grande parte desta “centro-direita” apoiou a ditadura militar que perseguiu e matou dezenas de brasileiros. Mas isso é apenas um mero detalhe.
A tônica dos trabalhos foi dada pela “análise” política da situação venezuelana. A preocupação da direita mundial com a Venezuela para ser exagerada, mas não é.
A política independente praticada por Hugo Chávez e sua confrontação com os EUA vêm criando sérios problemas para a administração Bush. A velha "tática" de insuflar a oposição e patrociná-la financeiramente pode provocar desestabilização do regime quando fraco, contudo pode provocar atitudes duras por parte do regime atacado quando ele conta com apoio interno. Parece que é isso que está acontecendo com a Venezuela.
Cuba, por exemplo, sempre reagiu de maneira extremamente dura contra as armações norte-americanas nesses últimos 40 anos. A última resposta rigorosa contra tais armações foi a expulsão de parlamentares europeus que apoiavam a oposição cubano-bushista. Em maio ocorreu uma reunião da oposição cubana em Havana com vários parlamentares europeus, cujo pano de fundo seria a “libertação da ilha”. Tal “libertação” seria patrocinada por George W. Bush, o mesmo que libertou o Iraque.
Na mesma linha de raciocínio, Chávez já rompeu vários acordos com os EUA, inclusive militares, e ameaçou romper o fornecimento de petróleo para o país.
O fato é que a administração Bush tem utilizado a velha cartilha da Guerra Fria para desestabilizar o governo Chavez: financiamento de grupos paramilitares, apoio à insurreição, sabotagens etc. Aliás, o que faz até os dias de hoje contra a ilha caribenha.
Internamente, Chávez trava um combate feroz com as castas venezuelanas que não aceitam perder as regalias históricas, mesmo que seja através da tão falada democracia (do voto). Sim, porque tudo que está ocorrendo dentro da Venezuela obedece aos marcos legais da democracia burguesa. Foi a população venezuelana que optou pela ‘Revolução Bolivariana’, como diz Chávez.
O problema é que atos de “independência” praticados pela Venezuela podem quebrar a letargia da região. Isso seria extremamente preocupante, porque levariam os EUA a se preocuparem com o seu quintal, no momento em que a pilhagem do Iraque é mais importante que qualquer outra coisa.
A explosão social que vem ocorrendo na Bolívia e no Equador demonstram que a América Latina entra num ciclo de transformações decorrentes da falência do neoliberalismo e das respectivas conseqüências disso. Se essas transformações provocarão rupturas é outra questão.
O mais importante é que a esquerda revolucionária esteja pronta para lidar com essas transformações.
Colaboração revisional: André Vinicius Lira Costa
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