A Canalhocracia Brasileira

 

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Enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século – a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância – não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis.

(Os Miseráveis. Prefácio de Victor Hugo, Hauteveille-House, 1862)

 

A elite política brasileira, gerada pela democracia representativa burguesa, explica o que observamos no mês de dezembro. A tentativas de reajuste salarial em 90% proposto pelos nossos parlamentares fechou o ciclo de cinismo e desfaçatez que compõem o seu caráter de classe.

Em novembro, a “República dos Bacharéis” - também cínica - quis amealhar um pouco mais de reais. Com um detalhe: já ganhavam mais que os juízes da nação mais rica do mundo.

Eu sempre me pergunto: como é possível seres humanos (?) dormirem tranqüilos em um país miserável e desgraçado, sabendo que grande parte da responsabilidade desta miséria pertence a esta “República”?

Estes grupos drenam os recursos que poderiam melhorar a vida de milhões de pessoas em nosso país. Será que ganhar 12 mil reais sem fazer absolutamente nada, não é muito? E os doutores que pouco trabalham, mas que ganham mais que os juízes norte-americanos? Não seria isso falta de humanidade no sentido filosófico do termo, pelo menos?

Dentro desta lógica, criei o termo “canalhocracia” para explicar uma das formas de governo existentes no Brasil. Tanto o desprezo pela vida humana e pela ética quanto a inexistência de compaixão cristã, entre outros fatores, corroboram a existência de uma sociedade que tem seres abjetos nos postos chaves do país.

Na Revolução Industrial inglesa, os capitalistas faziam parte de uma engrenagem de produção que tinha a sua função de existir. Exploravam com o objetivo de produzir algo. O que estamos observando atualmente no Brasil é o contrário: o parasitismo que causa o óbito de milhões de brasileiros por ano.

Que estas camadas reflitam sobre as suas responsabilidades pela miséria humana de nosso país. Nenhuma nação pode ter o seu povo vivendo em condições sociais similares aos períodos pré-revolucionários francês ou russo.

    Espero que 2007 não seja igual aos últimos 506 anos.

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