2004: Algo Para Comemorar?
“Nenhum povo do mundo é capaz de fazer nada que remotamente seja igual à ocupação das praias do Rio no final de ano. Festejando um ano ruim, um ano com 12 milhões de desempregados. Festejando um novo ano que não sabe o que vai ser. Com essa policia que não vale nada. Sem transporte nenhum. E zero de violência”.
Carlos Lessa
O ano que termina não apresentou grandes alterações no quadro internacional. A temida vitória de George W. Bush aconteceu, referendando o caminho pelo qual a sociedade norte-americana (pelo menos grande parte dela) está indo: à direção do fundamentalismo cristão de extrema-direita.
Na verdade, o primeiro mandato de W. Bush foi a consolidação de seu dogma neonazista de inspiração cristã: o extermínio dos “povos pagãos” com a desculpa de levar o progresso (na marra) aos povos atrasados. Não sei, mas me parece que este era o discurso dos ibéricos para exterminar os povos indígenas americanos.
Ao mesmo tempo em que a cruzada neonazista de W. Bush avança, a cruzada islâmica responde no mesmo nível, ou pelo menos quase no mesmo patamar. Porém existe uma diferença, pelo menos para mim: o mundo islâmico é acossado sistematicamente pelo capitalismo ocidental como mais um mercado a ser explorado. Na prática, eles são as vítimas.
A sensação de insegurança global mostra que a caixa de pandora foi aberta e tão cedo não será fechada. O ciclo da violência continua ativo, apesar da tentativa de se mostrar algo diferente, um mundo melhor.
No Brasil, a barbárie passa a fazer parte definitivamente do nosso cotidiano, pelos menos das grandes cidades brasileiras. O caso do Rio de Janeiro é emblemático: a falta de poder das autoridades e o poder do tráfico, são os símbolos de uma sociedade que vê o abismo social crescendo e não faz absolutamente nada.
Carlos Lessa, o ex-presidente do BNDES, acossado pelo capital internacional, perdeu o seu posto por defender uma sociedade mais lógica e menos antropófoga. Este foi o seu erro. Quem disse que a população deve viver bem? Ou ter uma vida digna? “Viver bem” não é um atributo desejado aos pobres, mas sim aos nossos ricos.
Aos nossos pobres, as senzalas dos séculos XX e XXI: as favelas. Este é o lugar exato e definitivo de grande parte da população brasileira.
Por isso, presto minha homenagem a Carlos Lessa, um verdadeiro e grande brasileiro que ousou expor a demagogia petista. Termino com mais uma citação sua:
“Sabe em quem eu confio? Nas elites brasileiras. Elas querem ter padrões de vida de Primeiro Mundo e mão-de-obra doméstica barata. Querem combinar o bom do Primeiro Mundo com o barato do Terceiro Mundo”.
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