Capitalismo Total, Aquecimento Global

 

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O relatório divulgado no início deste ano sobre o aquecimento global provocou dois tipos de reação: a primeira enfoca a necessidade de mudanças urgentes por parte dos países industrializados, a segunda critica o “catastrofismo” por parte dos ambientalistas.

Para o tema proponho uma análise mais “filosófica”. O fato é que a sociedade de consumo gestada pelo capitalismo nos últimos dois séculos e a sua perspectiva globalizante alcançada desde o final dos anos 80 poderiam nos ajudar a entender o que está acontecendo.

O consumismo desenfreado gera uma pressão permanente sobre o meio-ambiente e, aliado aos interesses de lucro constante por parte da lógica intrínseca ao sistema, fecha o quadro preocupante para a Humanidade.

Tenho a noção que para os defensores do capitalismo, tudo isso é uma “tolice”.  Coisa de “comunista”. Mas, o fato é que as evidências empíricas das atuais catástrofes naturais dizem o contrário.

A diminuição dos problemas ambientais deve estar ligada a uma “nova forma de ver o mundo”. Esta “nova forma”, não deverá passar pela lógica consumista-capitalista. Não quero colocar a discussão sob uma falsa dicotomia capitalismo-socialismo. O socialismo real também poluiu muito, entretanto, não se tornou global.

Devemos entender o “consumismo” como a aquisição de bens totalmente desnecessários para o ser humano, bem como a criação de falsas necessidades. Aliás, o filósofo húngaro Georg Lucáks, em seu livro História e Consciência de Classe, trabalhou muito bem a noção marxista de reificação. Em uma linguagem mais simples, seria o domínio da mercadoria sobre o consumidor. Sim, aquele velho papo de “A bolsa estava olhando para mim...” , é real.

Não se trata de um “retorno às taperas” ou que todos devam morar no meio da mata. Quem quiser que vá! A discussão, aqui, é mais profunda. Enquanto tudo, Natureza e o Ser Humano forem vistos com mercadorias, estaremos dentro de uma lógica autofágica.

Entretanto, parece que nem tudo está perdido. Depois de promover as barbáries ambiental doméstica e mundial, o Sr. Bush resolveu investir em fontes alternativas de combustível. E o Brasil será o parceiro. Contudo, é preciso mais do que isso.

Definitivamente Capitalismo não rima com meio-ambiente.

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