América Latina e o Populismo

 

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Desde que Hugo Chávez chegou ao poder na Venezuela no final dos anos 1990, um “fantasma passou a assombrar a América Latina”. No Manifesto Comunista o “espectro” era a perspectiva de uma revolução socialista que assombraria a Europa.

Depois de Lula e posteriormente da vitória de Evo Morales na Bolívia, a direita continental está preocupada com a volta do “populismo”. Mas o que seria o populismo? Por que ele é tão nefasto?

Quando as massas desprezadas pelas políticas públicas, estas ditadas pelos experts formados em Washington, encontram “outras” políticas públicas que resolvam os seus problemas de sobrevivência real (ou que pelo menos tentem), temos finalmente o “populismo”.

Na verdade, a América Latina desde o fim das ditaduras militares não promoveu o crescimento econômico necessário que pudesse atenuar as mazelas sociais do continente. Ou seja, a elite latino-americana exalta a plenos pulmões a beleza do ato de votar, ao mesmo tempo em que as condições reais de existência da população não foram alteradas. Mas o Céu existe... Temos que aguardar, dizem os Escolhidos.

A Democracia Burguesa na América Latina vem provocando um grande estrago ideológico, pois instintivamente a população começa associar o Voto com corrupção e pobreza.

Algumas pesquisas (pouco divulgadas) vêm apontando para o “consenso” da população brasileira de que os regimes ditatoriais ofereciam “melhores condições de vida” do que a nossa famigerada “era democrática”. O famoso “Eu era feliz e não sabia”.

O fato é que a vitória da “via burguesa de transformação social” tem que ser comemorada... Pela burguesia. Afinal, os processos revolucionários não estão a priori na ordem do dia. Não há o que temer: a riqueza continuará nas mãos dos grupos hegemônicos e grandes massas continuarão nos seus guetos miseráveis.

Mas e o populismo com isso? Tudo.

Dentro de um quadro de miserabilidade e a falta de perspectiva social, as forças progressistas não conseguem se organizar dentro de uma lógica que transcenda a Democracia Burguesa. Além do mais, o sistema é montado sobre uma estrutura em que os grandes grupos econômicos utilizam todas as formas de pressão e vantagens para manter o status quo inalterado: mídia, corrupção, capital etc.

Abro aqui um parêntese. Chega a ser piada alguém dizer que no Brasil existe liberdade de imprensa. É verdade que qualquer um pode abrir um jornal e falar mal do governo, mas e daí? Abrir um jornal, por exemplo, custa milhões de reais. Somente os grandes impérios jornalísticos é que selecionam o que vamos ler, ver e escutar. Isso é liberdade de imprensa? Isso é democracia? Acreditar que o jornalismo é somente “informar bem ao público” é, no mínimo, ingenuidade.

Sendo assim, para voltar ao tema central, alguns “espasmos progressistas” ocorrem de tempos em tempos, com perspectivas de uma transformação social. O dito populismo e seus líderes (os “caudilhos”) investem na área social, “desviam” verbas dos bancos que poderiam aumentar os seus lucros, protegem os seus mercados internos ao invés de facilitar a vida dos exportadores estrangeiros ou o que é pior: cumprem as suas promessas de campanha, como foi o caso de Evo Morales. Todo mundo fica apavorado, inclusive o que se dizem esquerdistas.

Sob uma perspectiva de Esquerda, a despolitização de tais atitudes é que constituem o principal problema para a conscientização da população. Sim, pois se um “líder” faz isso tudo, ele passa a ser um “pai”, o Pai dos Pobres.

Aí está o perigo, principalmente para a Esquerda “clássica”. Agora para a Direita, tudo é perigoso.

Pois que loucura é essa de defender dignidade e igualdade para os seres humanos? Nós não somos assim: alguns nasceram para a felicidade e outros não. É o Credo neoliberal.

 

Colaboração Revisional: André Vinicius Lira Costa

 

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