ÁFRICA: GLOBALIZAÇÃO DA MISÉRIA E PRIVATIZAÇÃO DOS LUCROS

 

 

 

 

    A África apesar do processo de independência ocorrido após a Segunda Guerra, ainda apresenta uma série de problemas crônicos que vão desde a falta de indústrias aos piores indicadores sociais do planeta.  Características que colocam o continente como um dos mais miseráveis.

    O subdesenvolvimento econômico-social do continente está ligado a famosa colonização de exploração que destruiu toda a economia de subsistência e que mal ou bem, conseguia alimentar a população, além de não permitir o desenvolvimento da indústria através do famoso Pacto Colonial. Os europeus destruíram esse modelo e implementaram as plantations e posteriormente a mineração em grande escala. Aproveitaram-se de vários mecanismos para tornar a mão-de-obra barata, quase semi-escrava.

    A indústria ficou atrelada às necessidades das metrópoles que não permitiam qualquer tipo de concorrência. Enquanto isso, a população ficava sem terras férteis, já que a concentração fundiária ganhou grandes proporções. Com uma  mão-de-obra até hoje sem especialização e  uma economia sem tecnologia, o continente ainda está no período da pré-revolução industrial.  

    Conseqüentemente para reverter esse quadro, o continente é obrigado a comprar tecnologias (defasadas do Primeiro Mundo) com preços altíssimos, alimentando ainda mais a ciranda do endividamento externo e dificultando os investimentos nas áreas sociais. 

    Devemos ressaltar que as elites africanas colaboram com esse mecanismo, pois são “compradas” através da cooptação político-econômica, onde sempre contarão com a ajuda das antigas metrópoles, bastando para isso, não mudar as relações econômicas favoráveis a elas.

    A miséria absoluta que atinge o continente é decorrente de todo o processo descrito acima e torna-se mais preocupante em função das guerras civis que atingem quase todo o continente. Depois da Somália, que horrorizou o mundo numa guerra fratricida e contou com a presença desastrada dos EUA no início dos anos 90, o Burundi tornou-se a "bola da vez" na segunda metade da década passada. 

    Este pequeno país é uma ex-colônia belga encravada entre a República Democrática do Congo (ex-Zaire), Ruanda e a Tanzânia, com 5,6 milhões de habitantes, onde 85% são hutus e 15% tutsis, e o seu PIB são de miseráveis US$ 1,2 bilhão e uma renda per capita anual que não chega aos US$ 260,00  se envolveu numa sangrenta guerra étnica com uma média de  1.000 pessoas mortas por mês, quase sempre mulheres e crianças. Na  vizinha Ruanda, 1 milhão de pessoas foram vítimas das guerras étnicas, também em função de atritos entre tutsis e hutus.

 

   

    Para o professor Christopher Coker, da London School of Economics, os conflitos no Burundi já existiam só que de uma maneira menos violenta do que hoje. Inclusive na década de 30, a minoria tutsi  explorava a maioria hutu. Entretanto, a presença européia acentuou ainda mais esses conflitos, através de um nacionalismo que foi incentivado ao máximo pelos colonizadores. Segundo os especialistas, desde o início da década de 90, 3 milhões de africanos foram mortos, 30 milhões abandonaram suas casas e 5 milhões estão exilados.

 

 

    Num mundo pós-guerra fria e “globalizado”, dominado pela euforia de novos mercados sendo incorporados ao capitalismo, esse quadro medieval torna-se anacrônico. A projeção de um futuro melhor para a África está cada vez mais distante, e creio que a situação piorou ainda mais em função do fim do bloco soviético. Pois sem ele, a ameaça de uma “África comunista” acabou e os EUA não têm mais preocupação alguma em reverter essa situação. As famosas “ajudas humanitárias” estão cada vez mais escassas. Ou seja: o próprio continente terá que resolver todos os seus problemas que vão da miséria aos conflitos genocidas. Há realmente motivos para celebrarmos este início de milênio? Talvez até exista para aqueles que ganham com  esta situação.  

    Ainda cabe outra pergunta: o que os EUA vão fazer para melhorar o atual quadro de desespero africano? Afinal, o país sempre defendeu um mundo melhor para todos os povos do planeta.


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