Cento e Vinte anos do Fim da Escravidão: Algo Mudou?

 

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O ano de 2008 deveria um ano de grandes comemorações. Afinal, há cento e vinte anos acabava um dos mais ignóbeis sistemas de exploração do trabalho pelo ser humano. No entanto, parece que as elites brasileiras estão ainda saudosas do período - pelo menos grande parte delas.

            Literalmente, nada  foi feito pelos grandes órgãos de comunicação para comemorar a data. A mídia - na ordem burguesa - é a porta-voz de seus interesses e anseios de classe. Se nada foi feito, certamente é porque não há motivos (para elas) para comemorações. Ou seja, a libertação dos escravos há cento e vinte anos atrás não representou nada e não é motivo de orgulho para as nossas elites.

            É claro que existem exceções. Tive o prazer de ler no início do ano livro sobre a biografia Joaquim Nabuco de autoria de Angela Alonso (Joaquim Nabuco, Cia das Letras). O livro mostra o envolvimento de Nabuco e outros intelectuais e políticos no processo de abolição da escravatura.

Apesar de pertencer à elite política, Nabuco teve um importante papel na difusão dos ideais abolicionistas. Como intelectual e parlamentar fez o possível e o impossível para o processo se consolidar em 1888.

Cento e vinte anos depois, as senzalas são as nossas favelas e periferias, aliadas à ignorância de um povo massacrado pelas elites que abominam os preceitos mínimos civilização: condições dignas de vida, educação etc.

O silêncio da grande mídia é emblemático. A comemoração da data demonstraria o compromisso real das elites brasileiras em resgatar simbolicamente a data.

Na prática, o “esquecimento” é um sinal importante de que as coisas não mudaram muito. Não abominar simbolicamente a escravidão até os dias de hoje, no Brasil, é muito triste.

Não devemos esquecer que a escravidão ainda não acabou. Pelo interior do Brasil  ainda encontramos inúmeras fazendas que se utilizam desta abjeta forma de trabalho.

Apesar de tudo... Valeu Zumbi!

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